
Um pescador joga sua rede no mar mais profundo e traz com ela à superfície um Celacanto vivo. O Celacanto não deveria existir, pois já é um fóssil de milhares de anos. O Celacanto não deveria existir, porque recusou-se a viver nas águas que lhe foram destinadas por Deus. O próprio Celacanto é o momento inicial de uma explosão de vida no universo, o momento especial em que um ser da água se tornou um híbrido e se tornou capaz caminhar na terra e respirar o ar. O Celacanto é o resultado da lenta coagulação das águas primordiais, do caos indiferenciado, do antes de tudo, do sem fundo. Um ser com faísca de vontade que libertou-se dos limites da existência líquida. A terra que pisou, o ar que respirou, ainda não era habitado pela chama da vida. O Celacanto rompeu os limites traçados para ele pelo Criador. Não tinha pés, mas membros que se arrastavam, não tinha pulmões, mas peitos que arfavam. Mas isso foi o bastante, pois o Celacanto abriu sua boca e falou: eu ouvi as palavras de Deus no Gênesis e povoei a terra de seres terrestres e os ares de seres alados.

O Criador do alto dos céus mantém a criação em revolução

