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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Psicose - Black Sabbath, Heaven & Hell


Extasiado e em estado de graça, depois de assistir pela primeira vez essa maravilhosa banda feminina de rock, perguntei à baixista Chris Zuardi, porque elas tinham escolhido Black Sabbath para homenagear e se tornar um cover feminino. A resposta não poderia ser mais precisa e profunda: "Ah, foi o que deu mais química." Química, alquimia, feitiçaria, daquelas raras: para o bem e bem forte! Sempre desconfiei que o heavy rock clássico, de Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, com suas ondulações, climas, percursos aleatórios e surpresas, tudo a serviço de um transe lento e êxtase crescente com finais apoteóticos, era uma linguagem feminina, enfim, era coisa de mulher. "Sabbath", então, não era uma festa sagrada das bruxas? Pois é isso que vejo quando assisto um show dessas lindas e poderosas bruxas, cada uma com sua marca própria que enriquece a poção mágica que elas nos servem: Priscila Alvarez na guitarra, Chris Zuardi, no baixo, Carla Afonso na bateria e Thammy Sillah no vocal, formam a Psicose, pra mim, sem dúvida, a melhor banda de rock de São Paulo.


domingo, 29 de novembro de 2009

Sonho Alquímico II - O celacanto







Um pescador joga sua rede no mar mais profundo e traz com ela à superfície um Celacanto vivo. O Celacanto não deveria existir, pois já é um fóssil de milhares de anos. O Celacanto não deveria existir, porque recusou-se a viver nas águas que lhe foram destinadas por Deus. O próprio Celacanto é o momento inicial de uma explosão de vida no universo, o momento especial em que um ser da água se tornou um híbrido e se tornou capaz caminhar na terra e respirar o ar. O Celacanto é o resultado da lenta coagulação das águas primordiais, do caos indiferenciado, do antes de tudo, do sem fundo. Um ser com faísca de vontade que libertou-se dos limites da existência líquida. A terra que pisou, o ar que respirou, ainda não era habitado pela chama da vida. O Celacanto rompeu os limites traçados para ele pelo Criador. Não tinha pés, mas membros que se arrastavam, não tinha pulmões, mas peitos que arfavam. Mas isso foi o bastante, pois o Celacanto abriu sua boca e falou: eu ouvi as palavras de Deus no Gênesis e povoei a terra de seres terrestres e os ares de seres alados.


O Criador do alto dos céus mantém a criação em revolução

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sonho Alquímico I - O cão e o mar





Um barco de pesca singra o mar num dia com brisa suave e ensolarado. De repente, o barco faz a volta, desliga o motor e os homens da família que estava no barco vestem apressados o equipamento e mergulham. Comenta-se com apreensão que um cão caiu no mar e afundou. Passam-se momentos de angústia e a busca é infrutífera. Decidem voltar à terra firme. No caminho, após desoladas horas de viagem, avistam a cabeça do cão desaparecido, estranhamente parada, acima da superfície da água. Ao se aproximarem do cão, o barco toca num banco de areia e todos percebem que o cão está de pé, com os pés apoiados no fundo do mar que se eleva perto da superfície justamente nesse ponto. Todos ficam felizes e resgatam o cão para bordo. O cão é muito escuro, quase preto, de estrutura grande e muito forte. A dona do cão, abraça-o e diz que ele se chama Fundamentos, que ele afundou, chegou ao fundo do mar e caminhou por baixo d’água até o ponto onde foi encontrado. Diz, ainda, que só Fundamentos poderia ter feito isso!


"O avançar é um retroceder ao fundamento, ao originário e verdadeiro."

Hegel, na Ciência da Lógica.