quinta-feira, 3 de junho de 2010

Adeus ao Pedro, jovem advogado dos humilhados, filho do Paulo Teixeira e da Alice Yamaguchi

3 de junho de 2010
Nota de Falecimento
"É com pesar que informamos que o corpo de Pedro Yamaguchi Ferreira, filho do deputado Paulo Teixeira, foi encontrado hoje (3), ao meio-dia (horário local), a cerca de 40 km de distância da cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Uma embarcação do Exército fez a localização.
Pedro estava em São Gabriel da Cachoeira desde fevereiro deste ano atuando como advogado da Pastoral Indigenista na diocese daquela cidade.
Na última terça-feira (1º), antes do almoço, Pedro, que tinha 27 anos, saiu para tomar um banho nas águas do Rio Negro, e não retornou para casa.
Paulo Teixeira e sua família agradecem imensamente por todas as mensagens de apoio recebidas. Neste momento de tristeza e dor, todo pensamento em prece é bem-vindo."
A assessoria de Paulo presta uma homenagem a Pedro e família, resgatando parte da trajetória de Paulo e Pedro:
Aos 17 anos de idade, Paulo Teixeira deixava a cidade de Águas da Prata, interior de São Paulo, para cursar Direito na capital. O local escolhido pelo jovem foi o bairro de São Miguel Paulista, na zona leste da cidade, região que carecia de infraestrutura e recursos, bem como de atenção por parte do poder público. Paulo levava na bagagem a esperança de um mundo mais justo e solidário, usando esse sentimento para ingressar na carreira política.
Pedro Yamaguchi Ferreira, por sua vez, tinha 26 anos quando tomou uma decisão radical na vida. A exemplo do pai, ele deixou a cidade natal para tentar mudar a realidade de outro lugar. Em fevereiro de 2010, embarcou para a cidade de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, para advogar a favor da Pastoral Indigenista na diocese da cidade.
Acompanhe o discurso de Pedro, proferido na missa de sua despedida da capital paulista:

Queridos familiares, amigos e amigas.

Em primeiro lugar, quero dedicar essa missa a minha madrinha Glaucia, que nos deixou há uma semana. Tenho um sentimento de que ela vai olhar por nós e alegrar um pouco mais o céu. As maiores lembranças que tenho dela são o seu sorriso e sua luta pela causa ambiental. De alguma forma, sinto que posso dar seguimento ao que ela tanto ensinava como geografa e professora. Essa missa é em memoria dela.
Quero agradecer a cada um de vocês pela presença nesta noite, isso representa muito pra mim e me dá muita força para seguir a caminhada. Celebramos hoje, na Igreja da Boa Morte, a vida, a esperança de dias melhores.
Sei que não estamos reunidos esta noite por mim apenas: todos os que estão aqui querem um mundo melhor para si; para seus filhos. Todos queremos paz, alegrias, amizade, justiça. Este encontro serve para renovarmos nossos sonhos.
Agradeço de forma especial as pessoas que prepararam com tanto carinho essa missa: a Marcelo da Pastoral da Juventude, a Pe Valdir e dona Vera, a toda a comunidade alianca da Misericordia, nas pessoas de Pe Enrico e Antonelo, ao pessoal da banda e a todos e todas que permitiram que esta noite acontecesse. Pe Valdir, aliás, que foi o pai desta minha ideia de ir pra Amazânia. Desde fazer contato com o bispo de São Gabriel da Cachoeira, até falar com todos os padres e irmãs para que autorizassem meu envio. Muito obrigado por toda a ajuda, Pe Valdir.
Quero saudar meus amigos da alianca da misericórdia. Por ceder essa igreja, que é vossa casa.
Saibam que vocês têm enorme influência na minha vida e nessa minha decisão: desde o primeiro momento, quando conheci um montão de jovens que moravam na favela do moinho e faziam pastoral carcerária, logo fiquei encantado com o que vi.
Eram jovens dedicando suas vidas a melhorar a realidade dos mais marginalizados: os moradores de favelas e os encarcerados.
Nas muitas vezes que estive com eles, sempre me identifiquei com aquela vocação e sentia alguma coisa arder mais forte no meu peito. Sabia que faria algo parecido.
Vocês vivem a solidariedade na essência na palavra, vivem pela causa social com compromisso e verdade.
Parabéns e muito obrigado pelo exemplo.
Quero abraçar todos meus familiares. Meus tios e tias, pais e mães pra mim, e meus irmãos. Meus primos e primas, que são meus outros irmãos e irmãs. Carrego voces no coração, assim como carrego a lembrança de meus quatro avós, os quais tive a enorme felicidade de conhecer e conviver. Sinto que eles estão comigo. Sempre os senti por perto e sei que eles nos protegem. Dedico também a eles minhas alegrias.
Brindo com todos meus amigos e amigas, da rua, de colégio, de faculdade, das lutas, da vida. Pela amizade e companheirismo. Obrigado por me ensinar. Espero que nossa amizade possa ser preservada e se fortalecer ainda mais, nos sentimentos de solidariedade com os outros, no amor pelo país, na luta por mais igualdade social, autonomia e liberdade das pessoas e tolerência com as diferenças. Tamo junto!
Aos amigos dos meus pais, que se tornaram meus amigos. Obrigado por todo exemplo de luta e dedicação a uma militância que exigiu muito tempo do lazer e conforto de vocês e de suas famílias. Carrego vocês comigo também! Muito obrigado pela presença.
Agradeço o carinho dos amigos de Carlos de Foucalt. Obrigado pela amizade e acolhida. Terei mais oportunidade de conhecer os ensinamentos de Foucalt. De alguma forma, já me sinto muito influenciado por essa espiritualidade, desde minha infância, através de meus pais, e agora, por todo esse processo da minha decisão, quando estive rodeado por vocês. Muito obrigado.
Quero agradecer, de forma muito especial aos meus queridos amigos e amigas companheiros de Pastoral Carcerária. Obrigado pela oportunidade que me deram, por confiarem e apostarem em mim. Pela amizade e paciência que tiveram comigo. E, sobretudo, pelo exemplo de fé e compromisso com a causa carcerária e humana. Vocês são verdadeiros guerreiros, pessoas iluminadas. Faltam palavras pra descrever tudo o que vivi nestes 3 anos de Pastoral. Quero, do fundo do coração, agradecer a oportunidade de ter compartilhado com vocês momentos dos quais nunca esquecerei. A presença missionária dentro da Pastoral influenciou a minha escolha. Carrego vocês, os presos e as presas, comigo. Que tenhamos dias melhores, em que nossa sociedade respeite os direitos dos cidadãos presos. Muito obrigado!
Aos meus queridos pais, também faltam palavras. Obrigado pelo exemplo, por nos ensinar a olhar pelo outro, a ter consciência do mundo em que vivemos, a lutar por nossos sonhos. Muito obrigado por serem parceiros comigo e com meus irmãos em nossas investidas, em nossos projetos.
Amo muito você, pai e você, mãe.
Aos meus queridos irmãos, todo meu amor e amizade. Vocês são pessoas especiais pra mim, trazem mais energia pra minha vida, são minha sustentação.
Espero estar tão perto de todos vocês mesmo estando longe. Carrego vocês nesta luta. Desde já peço perdão pelas vezes que precisarem de mim e que estarei ausente. Obrigado pelo apoio.
Essa minha decisão de viver essa experiência na Amazônia é fruto do convívio com a realidade dos cárceres e a realidade social em sua forma mais cruel, o lado B de nosso País: o País dos esquecidos, dos humilhados. Pude estar em contato com a miséria da miséria, a injustiça, a segregação social e racial, a dor, o esquecimento. Ter visto de perto situações desconhecidas pela maioria das pessoas, ter conhecido um País que ainda maltrata seus cidadãos, tudo isso me despertou pra necessidade de luta, de trabalho para a profunda transformação dessa realidade.
De forma geral, vejo os poderes de Estado ainda muito elististas. Não conhecem de verdade a realidade de seu povo, a pobreza, a falta de dignidade e cidadania que sofrem milhões de cidadãos, não conhecem os cárceres. Mantêm-se distantes daquilo que deveria ser a essência de seu trabalho: o bem comum do povo, sobretudo daquele que mais necessita das instituições para a garantia de seus direitos. Privilegiam o status, o poder, as facilidades materiais em detrimento dos direitos fundamentais das pessoas.
As leis, a Constituição Federal infelizmente não são as mesmas para todos. A justiça é justa para poucos. Os direitos de alguns são mais importantes que de outros. Lutar pela terra é crime. Mas não é crime a situação daquela pessoa que vive em condicoes sub-humanas nas favelas, sem dignidade nenhuma, sem comida. Furtar é crime. Mas não é crime quando o Estado amontoa milhares de presos e presas numa lata, os tortura impunemente, e viola todos seus direitos previstos nas leis. Temos dois Países: o País dos privilegiados, dos que têm acesso à riqueza, à cultura, ao lazer, aos bens materiais, às melhores oportunidades e o País dos esquecidos, que não têm direitos, não têm oportunidades, e ainda são criminalizados.
Devemos mudar, acredito que estamos avançando, mas é preciso muito mais, não podemos permitir retrocessos nas conquistas dos direitos.
Precisamos acabar com a segregação racial. Vejamos os direitos dos índios, como têm dificuldade para ser implementados. Vejamos a diferença entre os salários de negros e brancos. Vejamos os preconceitos que os nordestinos ainda sofrem no sul. A discriminação que sofrem as mulheres. Isso tudo ainda existe, é verdade, tristemente sentido no cotidiano.
Somos um País extremamente desigual na distribuição de renda. Somos top 10 no ranking de desigualdade. Num país com 200 milhões de habitantes, os 10% mais ricos detêm 50% da riqueza. Os 10% mais pobres, apenas 1% dessa riqueza. Os moradores de favelas pagam proporcionalmente mais impostos que os ricos.
4 milhões de famílias no Brasil precisam bos benefícios de uma reforma agrária. Sem contar outros milhões que vivem em condicoes sub-humanas e que precisam de mudanças.
Nosso mundo tem 1 bilhão de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, com menos de 2 dólares por dia. No Brasil, são 7,5 milhões de pessoas que vivem na linha da pobreza.
Para mudar essa realidade, precisamos democratizar cada dia mais o poder econômico e o poder político. Não permitir que o capital econômico mande nas políticas dos países, em detrimento das conquistas e avanços sociais.
Não dá para ficarmos tranquilos diante de tanta injustiça. Porque preferimos a anestesia à luta? Porque não deixemos de lado um pouco nosso conforto para pensarmos e agirmos por uma sociedade melhor?
Viajo para a Amazônia para colaborar, como cidadão e advogado, com as comunidades ribeirinhas, os índios, a questão ambiental. A discussão que está em voga hoje é a ambiental e, realmente, ela se faz necessária e urgente.
A natureza cada vez mostra com mais forças seu poder e sua revolta contra o que fazemos com ela. Utilizamo-la com interesse econômico e sem preocupação com os demais seres que nela vivem. Não nos preocupamos com o amanhã. E ela não está feliz com isso. Lembremos dos tsunamis, dos furacões, dos terremotos, dos deslizamentos.
Olhemos para nossa cidade de São Paulo, nesse mês de janeiro, o tanto que choveu. Os estragos das chuvas nos lugares mais precários. Infelizmente os efeitos climáticos atingem de forma pior os mais pobres, os que moram em áreas de risco, nas beiras dos rios.
Insistimos em desmatar nossas florestas. Somos o 5º pais no mundo que emite mais gases poluentes e 75% desses gases vêm do desmatamento. Matamos nossa floresta para alimentar o mercado externo, americano e europeu. Faz sentido isso?
Do que adianta exercitarmos uma consciência ecológica se não questionamos nosso próprio anseio consumista que desgasta a capacidade da natureza e acelera a degradação do meio ambiente? Devemos exigir de nos sacrifícios pelo bem da sobrevivência da natureza e nossa também.
Apenas para exemplificar, com situações cotidianas: será que precisamos ter 50 pares de sapatos em nossos armários? Dezenas de peças de roupas que depois ficam armazenadas? Será que todos precisamos de carro em detrimento do transporte público? Precisamos tomar duas vezes ao dia banhos de 30 minutos? Devemos pensar que nosso padrão de consumo gera desigualdades e agride a natureza, e é preciso abdicar desse modelo.
Sinto nessa minha escolha um pouco de negação, ainda que temporária, do modelo civilizatório ocidental consumista e destrutivo em que vivemos – e, pior, que achamos bom. Desejo buscar na natureza, com os índios, valores humanos que se sobreponham às ilusões da civilização.
Penso que, diante de toda a realidade miserável que pude ver, não posso ficar inerte, tocando minha vida como se a vida do outro nada tivesse a ver com a minha. Me sinto na obrigação de colaborar com nosso povo.
Não é preciso ir até a Amazônia para mudar essa realidade social brasileira. A cidade de SP está cheia de problemas a serem resolvidos, e todos vocês podem colaborar para mudar essa situação. Visitem a favela do moinho, o jardim pantanal, uma unidade prisional. Certamente lá existem muitos problemas e as pessoas precisam de ajuda!
Mas, nem só de lutas vive o homem. Quero viver, escrever uma gostosa poesia de minha vida. Poder respirar um ar puro, contemplar a mata e os animais, estar em contato com culturas diferentes, jogar mais futebol, estar no paraíso natural. Como diz a poesia do sambista Candeia, cantada na voz de Cartola: “deixe-me ir, preciso andar, vou por ai a procurar, sorrir pra nao chorar. Quero assistir ao sol nascer, ver as águas do rio correr, ouvir os pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver”.
Para terminar, dois lindos poemas do nosso querido dom Pedro Casaldaliga, grande figura que me inspirou profundamente e a quem tive a enorme felicidade e privilégio de conhecer em São Felix do Araguaia:
Pobreza Evangélica
Não ter nada.
não carregar nada.
não poder nada.
e, de passagem, não matar nada;
não calar nada.
Somente o Evangelho, como uma faca afilada,
e o pranto e o riso no olhar,
e a mão estendida e apertada,
e a vida, a cavalo, dai.
E este sol e estes rios e esta terra comprada,
para testemunhas da revolução ja estourada.
E mais nada.
Epilogo Aberto
Atenho-me ao dito:
A justiça,
apesar da lei e do costume,
apesar do dinheiro e da esmola.
A humildade,
para ser eu mesmo, verdadeiro.
A liberdade
para ser homem.
E a pobreza
para ser livre.
A fé, cristã,
para andar de noite,
e, acima de tudo, para andar de dia.
E, seja como for, irmaos,
eu me atenho ao dito:
a Esperança.
Deixo aqui um convite para que todos venham visitar a Amazônia. Para quem quiser conhecer o paraíso. Não se arrependerão. As portas lá sempre estarão abertas a vocês. Espero vocês numa visita.
Muito obrigado por virem, quero dar um abraço em cada um de vocês!

Quando Paulo Teixeira fez aniversário, no mês passado, Pedro enviou a seguinte mensagem, à beira do rio Negro:


A melhor banda de VGM do Brasil lança seu primeiro álbum "PLAY THEM ALL"

Pra quem ainda não sabe, VGM é Vídeo Game Music, e pra quem acha isso coisa de nerd alienado, é porque não avaliou ainda como a juventude pós-Lula é capaz inventar caminhos novos para democratizar e deselitizar o conhecimento e a cultura. Tudo, claro, para avançar a nobre tarefa de tornar nossa diversão melhor e mais gostosa!

Pois então, confiram aí "PLAY THEM ALL" o primeiro álbum dos Smash Bros. http://www.4shared.com/dir/HRwf80Po/Banda_Smash_Bros_-_Play_Them_A.html que tem um abertura gravada ao vivo no show em Campinas com o tema do 007 goldeneye e clássicos das trilhas dos Games revisitados pela banda.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Banda Psicose: Iron Man - Black Sabbath Female Cover

Alguém resolveu fazer justiça às bateristas (que sempre ficam escondidas nas fotos e ainda tem que desmontar o instrumento no fim do show!) e filmou esse maravilhoso momento shamânico / sabbáthico das fadas da Psicose "de lado", mostrando em detalhes as varinhas mágicas de Carla Afonso surpreendidas em pleno ofício. Tive a nítida impressão que, em vários momentos, era a bateria que conduzia a melodia, acompanhada pela "percussão" da guitarra (Priscila), do baixo (Chris) e das vozes (Tammy e galera do Bar MadHouse, Piracicaba). Prestando bastante atenção, quase ouvi a bateria dizer umas palavras mágicas. Coisas extraordinárias acontecem quando se está em presença de fadas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Oração sobre a comida



Agradeço a Ti, Senhor, pelo trabalho
dos que, como eu, trabalham para comer,
dos que, para que eu comesse, 
amaram a terra, as águas, os ventos, o sol e todas as criaturas,
aplacaram a Tua ira e, com coragem, 
se tornaram parceiros de Ti na criação
e me serviram, e a Ti, antes de si.
Protegei os que, diferente de mim, ainda aguardam a sua vez.
Aos que não trabalham para comer, peço-Te misericórdia.
Amém.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Oba!! novo álbum do Dirty Sweet: American Spiritual

Se ainda não existe fã clube dos caras aqui no Brasil, este blog se declara Fã Clube Nº 1 do Dirty Sweet, banda gringa de San Diego, California. Não sei se repararam o nome do blog!


Dirty Sweet - American Spiritual - Live Acoustic from Dirty Sweet on Vimeo.



Dirty Sweet Shakey Jake Live Acoustic from Dirty Sweet on Vimeo.




Dirty Sweet - Long Line Down - Live Acoustic from Dirty Sweet on Vimeo.



sexta-feira, 26 de março de 2010

Piada suja pronta, não resisti!

















Pe. Murphy abusou de 200 meninos. 
O Papa Bento, 16, protegeu-o anos.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Dois Amargos de Carlos Nejar


AMARGA É A CARNE

Amarga é a carne
amargos são os mastros
toda a salsugem cai
na mulher que se abre

as vozes são ferozes
no pão das vagas barco
amarga é a carne
amargos são os mastros

o dia morde o sangue
na espuma que se abre
amarga é a carne
amargos são os mastros

nos dói o que sustém
o espesso do caminho
amarga é a carne
amargos são os mastros

nos gasta a espuma
o sangue é azedo gume
amarga é a carne
amargos são os mastros

nos gasta o que sustém
o fundo do caminho
quando os remos descansam
amargos são os mastros.

(LIVRO DO TEMPO. 1965)


O EXÍLIO

O exílio não é o longe,
mas o cerco.

O exílio, campo exposto,
onde pasta o pensamento,
boi que trabalha no amanho.

O exílio é um deus amargo.

(CANGA - JESUALDO MONTE. 1971)






CARLOS NEJAR. A Genealogia da Palavra. São Paulo: Iluminuras, 1989.

terça-feira, 9 de março de 2010

Rasputina - My Little Shirtwaist Fire

Ainda comemorando o Dia Internacional da Mulher vamos com essa banda feminina novaiorquina de punk-gótico-esquisito que se auto-denomina de "cello-rock" e que fez uma canção em homenagem às garotas que morreran na Triangle Waist Factory.




My Little Shirtwaist Fire




Once it started,
The frail and fainthearted
Just withered to the floor.
Oh so sadly
We examined hands burned badly
By that which no man fears more-
The terrible flames of
All that remains of
My Little Shirtwaist Fire.
My best friend was
Alone in the alcove,
Does anyone see her there?
Such a sweet face,
trapped in the staircase
By the smell of her own burning hair and the
Terrible flames of
All that remains of
My Little Shirtwaist Fire.
Glow baby glow as the embers they died there,
Nobody knows what we saw inside there.
Twisting and burning, the girls' fine young bodies
Yes, we're burning can you help us please?
Yes, we're begging, we're on bended knees
Oh, my Little Shirtwaist Fire.
Girls work hard for
Small rewards or
Invitations to dine
Or one kind word from
One who loves them but
What I have earned is mine-
The terrible flames of
all that remains of
My Little Shirtwaist Fire.


Band: Rasputina
Album: Thanks for the Ether
Song: My Little Shirtwaist Fire
Date: 1996
Label: Sony



segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de março - Dia Internacional da Mulher e o Incêndio da Triangle Waist Factory


Desculpem destoar do clima de celebração das conquistas da mulher que, em geral, toma conta deste Dia Internacional da Mulher. Mas esse dia lembra fatos que ficaram marcados como os mais sujos da história da indústria. No dia 8 de março de 1857 houve uma greve em Nova York por melhores condições de trabalho nas fábricas e pela aprovação de leis que garantissem a segurança nos locais de trabalho que foi violentamente reprimida pela polícia. As autoridades (homens), no entanto, só começariam a prestar atenção a essas reivindicações depois de 25 de março de 1911, quando ocorreu o incêndio da Triangle Waist Factory, fábrica de roupas instalada no coração de Manhattan, Nova York, onde morreram 146 mulheres, a maioria imigrantes e jovens por volta dos 15 anos, em geral subcontratadas por "gatos", que foram impedidas de sair do prédio em chamas por portas  trancadas intencionalmente. Os responsáveis por trancar as portas chamavam-se Mr. Max Blanck e Mr. Isaac Harris proprietários da Triangle. Foi um evento público, acompanhado por uma multidão de espectadores (como verifica-se na terceira foto) que tinham testemunhado alguns dias antes marchas de protesto das cerca de 500 trabalhadoras da fábrica. Foi uma tragédia mais que anunciada, tão prevista que quando aconteceu foi percebida como um acontecimento banal. Só posteriormente, quando os diversos movimentos mundiais de mulheres gritaram soube-se seu real significado. Chamou-me atenção a primeira foto, onde as autoridades (homens) não olham para os corpos das vítimas estendidos na calçada. Na antepenúltima foto, as bancadas com máquinas de costura iguais às da minha avó. Na última foto, a manchete do jornal diz: "mulher conta luta pela vida nas portas trancadas" e ironicamente "rascunha-se nova lei para proteger os trabalhadores". Só para constar: "waist" quer dizer blusa para deixar a mulher com cintura fina. Processados, Black e Harris ouviram do júri: "not guilt".Recomendo uma olhada no site The Triangle Factory Fire da Cornell University http://www.ilr.cornell.edu/trianglefire/



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Barcelona. Marselha, Sapopemba


Um dos maiores elogios humanos às abelhas foi feito pelo arquiteto Antonio Gaudí, a Casa Milá tem a forma de uma colméia natural e o Palácio Güell tem uma cúpula no salão nobre cuja forma é a própria "ciência da abelha" quando tampa seus favos de mel. Entrando ali, sentimos a maravilha e o conforto de fazer parte da "colméia humana" em meio à diversidade da vida e do universo.


Infelizmente, outro arquiteto amante das abelhas, ou melhor da apicultura, Le Corbusier,  leu muitos artigos científicos sobre "respiração precisa" nas colméias artificiais dos apicultores do século XIX e desenhou aquilo que seriam nossas casas nas cidades daí por diante, mostrando-nos o horror de saber que pertencemos à "colméia humana".

Continua sem explicação o "sumiço das abelhas" que está ocorrendo pelo mundo afora. As bichinhas ficam doentes ou desentendidas de tal forma que saem em busca do pólen como todo dia, mas ficam desorientadas e não sabem mais voltar pra casa, morrem sozinhas e longe das irmãs e da colméia. Isso sempre aconteceu durante o inverno, mas era muito pequena a proporção de abelhas que se perdia. O atual "sumiço das abelhas" é totalmente diferente e pode levar até 90% das abelhas de uma colméia à morte solitária e distante. Os americanos reuniram centenas de cientistas para tentar saber o que é o tal "sumiço das abelhas" e já o apelidaram de CCD (Colony Collapse Disorder), isto é, não é uma doença da abelha, mas da colméia que, de repente, entra em colapso.


Uma senhora, de uma casa operária do bairro paulista de Sapopemba acredita que desde a semana passada, uma pequena imagem de gesso de Jesus Cristo começou a verter lágrimas de mel. “Acho que é uma mensagem de Deus a toda a humanidade”, afirma a aposentada Doralice da Silva Carvalho, de 67 anos. “Jesus está mostrando a doçura de seu coração, porque hoje em dia as pessoas estão muito amargas”, completa.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

The Archies - Sugar Sugar: Quando o açúcar não era pecado!

Não falo por todos da minha geração, mas parece que vivi num tempo em que o açúcar e o doce não eram pecado, nem suspeitos, nem era pensável qualquer moderação. O Padre dava balinhas às crianças que o paravam na rua, os adultos adoravam comprar doces para as crianças, mamães e avós então..., inventavam sempre novas e maravilhosas formas de nos lambuzar de açúcar. Tudo isso, sem culpa, sem medo, sem limites, o açúcar era como no slogam do Nescau e do Toddy: Energia para Ficar Forte! Só pra ter um gostinho dessa época basta lembrar esse sucesso estrondoso, a canção mais doce que eu me lembro: na voz e instrumentos de Ron Dante para The Archies: Sugar Sugar (1969).








quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Santa Cecília conversa com seus assassinos







Santa Cecília, padroeira dos músicos, foi cristã desde o nascimento e viveu em Roma no século II, sob o império de Marcus Aurelius. Conversava com um anjo e ouvia a voz de Deus em melodias de órgãos invisíveis. Manteve-se casta mesmo depois do casamento e ainda converteu ao cristianismo o esposo e o cunhado. Ambos foram presos e decaptados pelo governo romano por estarem dando enterro digno aos cristãos assassinados pelo regime e distribuindo seus bens entre os pobres. A “Legenda Áurea” de Jácopo de Varazze conta que antes de ser martirizada, Cecília teve o seguinte diálogo com seu algoz:

Então Almaquius, prefeito de Roma, chamando diante dele Santa Cecília, disse a ela: De que condição és tu? E ela disse que era de uma família nobre. A quem Almaquius disse: Eu te inquiro de que religião és tu? A quem Cecília disse: Então começaste teu inquérito tão tolamente, que teriam duas respostas em uma só pergunta. A quem Almaquius disse: De onde veio essa tua resposta rude? E ela disse: Da boa consciência e da fé não fingida. A quem Almaquius disse: Tu não sabes do poder que eu sou? E ela disse: Teu poder é pouco para temer, pois é como uma bexiga cheia de vento a qual, com uma picada de agulha, já vai embora e se torna vazia. A quem Almaquius disse: No erro começaste e no erro perseveraste; tu não sabes que nossos príncipes me deram o poder de dar vida ou matar? E ela disse: Agora provarei que tu és um mentiroso que atenta contra a verdade. Tu bem podes tomar a vida daqueles que vivem, mas para aqueles que estão mortos, tu não podes dar a vida, portanto, tu és um ministro não da vida, mas da morte.


http://www.fordham.edu/halsall/basis/goldenlegend/GoldenLegend-Volume6.htm#Cecilia